quarta-feira, 3 de março de 2010

Soneto

Então meu querido, não minta pra mim
Ainda que nossos corpos não se encontrassem
Nossas bocas não mais se falassem
Não seria este do amor o seu fim...


Ainda que nossas vidas entrelaçadas
Aos olhos alheios, não transpareçam claramente
Pois só enxerga o elo, quem os sente
Não seria esta nossa história por finalizada!

Que o amor só chega ao fim, meu querido
Quando o palpitar do coração se acaba
E sozinhos seguimos diferentes estradas...

Que o fim de um amor só se chega
Quando os olhos param de brilhar
E seguimos em frente pra não mais voltar!

terça-feira, 2 de março de 2010

Acontecer


Abriu as janelas e fechou os olhos, debruçou parte do corpo sobre o mármore branco que segurava os vidros espelhados do quarto, tentando não notar o reflexo que eles tinham quando se colocavam á frente deles, e assim tentou sentir o vento que era quase inibido pelos apartamentos que o rodeavam, assim permaneceu durante algumas horas, pensando no próprio pensamento, buscando algo dentro de si que fizesse o mínimo sentido, e uma vez que não o encontrou, fechou as janelas com certa aversão, esquecendo que com isto voltaria às partes espelhadas, encontrando assim o que não ambicionava naquele exato momento, seu próprio reflexo, pausou; Abaixou os olhos, e passou a mão por sobre os cabelos castanhos claros, colocando uma pequena mexa atrás da orelha, e agora com menos receio olhou de novo para sua imagem, como se pudesse sair do corpo e se ver de fora, se analisando, com um pensar crítico, evitou a maioria das verdades a princípio, enxergando os pontos positivos, e essa falsa felicidade durou pequenos segundos, uma vez que o seu lado fraco revelou-se facilmente, porém surpreendeu-se ao olhar para os pontos negativos em si, pois seus olhos estavam fortes, e sua cabeça manteve-se erguida mesmo nos momentos em que os erros se mostravam, respirou fundo e fixou seu pensamento em todos os atos que cometera até ali, até aquele ponto, conseguiu dividi-los em bons e ruins; primeiramente julgou-se por cada ato mau cometido, e o que cada um deles proporcionara, relacionou todas as conseqüência da ação e balanceou com a aprendizagem que a mesma causou, logo após pode exaltar suas glórias, e todas as boas atitudes que proporcionaram tanto uma ótima conseqüência quanto aprendizagem, por fim, pode ter uma conclusão sobre tudo que fizera em sua vida, e pode perceber o quanto valeu a pena entregar-se a cada emoção, e o principal perdoa-se quando preciso por elas, chorou. Desta vez ao entrar em seu quarto, antes que abrisse as janelas, sorriu para o reflexo que as mesmas transmitiam, e se olhou com certo reconhecimento, podendo assim respirar fundo o ar que a rodeia, com toda suavidade de alguém que aconteceu!